Artigo: “Caminhos de Bárbara”, por Luiz Carlos Diógenes

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Heroína brasileira, por lei nacional desde 2014, Bárbara Pereira de Alencar, agora, em 2024, bicentenário da Confederação do Equador, consagra o 28 de agosto, no Ceará, sua terra de adoção e afeição, como sendo o “Dia de Bárbara”. A Lei Estadual 18.757/24 é de iniciativa do deputado De Assis Diniz, valoroso e incansável parceiro do Projeto “Lute como uma Bárbara”, concebido pela Estação de Cultura Ecopedagógica/Instituto Bárbara, com apoio decisivo e cabal do Sintaf e da Fundação Sintaf.

Esta sertaneja, sobretudo heroína nordestina, nasceu no Exu/Pe, em 1760, viveu no Crato/Ce a partir de 1782 e morreu em Fronteiras/Pi, no dia 28 de agosto de 1832. Na versão do historiador Raimundo Girão, está sepultada na capela do Distrito de Itaguá, em Campos Sales/Ce. Seus passos abriram caminhos para a igualdade de gênero, perante um patriarcado hegemonicamente pavimentado.

O tempo cronológico ainda não foi suficiente para apagar os passos de Bárbara, todavia, o machismo e a misoginia, resilientes, de uma sociedade autoritária e reacionária, teimam, dissimuladamente, em deslustrá-los, quando não, acintosamente, em eliminá-los da história. No solo empedernido do mandonismo patriarcal de ontem, ela corajosamente deixou fissuras abertas, a serem alargadas e aprofundadas pela pisada da cidadania igualitária entre homens e mulheres.

Sua pegada multifacetada, para sempre tatuada no chão de quatro municípios próximos entre si, de três Estados do Nordeste (Pernambuco, Piauí e Ceará), deve ser preservada pela mão e atenção do Estado brasileiro como política pública de conservação da memória de seus heróis e heroínas. Bárbara de Alencar é um símbolo de interesse universal, por ser exemplo, para a Humanidade, de empoderamento feminino no mais acendrado e consolidado androcentrismo do sertão nordestino.

Sua pisada, resoluta e determinada, marcada neste pedaço de Nordeste, cenário de ação política autônoma, pode ser reavivada pela inauguração da rota turística “Caminhos de Bárbara”, entre os municípios de Exu, Crato, Fronteiras e Campos Sales, palco do protagonismo emancipacionista de uma mulher sertaneja em luta contra as opressões, de ontem e de hoje. Com poesia real!

Luiz Carlos Diógenes é diretor do Sindicato dos Fazendários do Ceará na Região do Cariri

Fonte: Jornal O Povo