Artigo: “Bárbara se desencanta em Audiência”, por Luiz Carlos Diógenes

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A heroína cearense Bárbara de Alencar emerge das tumbas. Em ação político-cultural, eivada de responsabilidade histórico-social, o mandato do deputado De Assis Diniz juntamente com duas entidades fazendárias cearenses (Sindicato dos Fazendários do Ceará – Sintaf e Fundação Sintaf) trazem ao palco de uma Audiência Pública, na Assembleia Legislativa do Ceará, no dia 28 de agosto às 14 horas, o legado simbólico de uma revolucionária que ainda vive nas lutas emancipacionistas das mulheres e nos projetos ético-políticos das causas republicanas.

A despeito do esgarçamento da memória desta heroína brasileira, oficialmente ordenada por lei, desde 2014, à morada no Panteão dos heróis e heroínas nacionais, sua história de vida se conserva mais na dignidade de um tempo histórico-psicológico, por atingir, com seu ativismo político-cultural, fenômenos imortais.

Todavia, o tempo sociocronológico, que marca 28 de agosto de 1832 como o dia em que seus restos mortais desceram à tumba, na capela católica do Distrito de Itaguá, no município cearense Campos Sales, ainda cobra do Estado cearense uma ação concreta de política museológica à altura da dignidade simbólica desta sertaneja nordestina.

Bárbara de Alencar não só esteve à frente do seu tempo, mas (sim!) contra o seu tempo, contra valores e ideologias petrificados e ainda resilientes, do camaleônico patriarcado machista e sexista. Não há marcas históricas de Bárbara no lugar em que nasceu, Exu, Pernambuco, nem mesmo onde viveu ativamente como cidadã, no Crato-CE, nem onde morreu, numa fazenda em Pio IX, Piauí, na divisa com a Comunidade de Itaguá, no Ceará.

Aqui, sim!, é que se conserva e se pode garantir, para todos os tempos, por meio de seus restos mortais, já em pó misturado às entranhas do solo que os acolheu, sua memória feita de bandeira de lutas, emblemáticas para gerações idas e vindouras.

Uma revolucionária republicana, primeira presa política do Brasil, única mulher a passar pelos calabouços de Fortaleza, Recife e Salvador, entre 1817 e 1821, no meio de tantos intelectuais revolucionários da Insurreição Pernambucana de 1817. Merece ela a atenção e o zelo do Estado na promoção e na conservação de sua memória.

Fonte: Jornal O Povo