
Uma lei escrita no frio papel não encarcera uma data inscrita no fogo da memória. Se o fenômeno visado, na lei e na memória, é de uma inconteste heroína, o reconhecimento legal vem reforçar o valor mítico-simbólico da homenageada. Dia 28 de agosto, no Ceará, é dia de Bárbara Pereira de Alencar. A efeméride acresce o calendário oficial de eventos e datas a serem comemoradas no Estado, por força da Lei Estadual 18.757/2024.
Aniversário de morte desta cratense de coração, sagrada heroína por lei nacional desde 2014, e, de fato, assim considerada mesmo antes de 1817, na carta-testamento de Manuel de Arruda Câmara, ainda em 1810. O ativismo político-cultural daquela sertaneja previsto por aquele ideólogo visionário da independência nordestina se confirmaria. Parcamente se comenta, quando não completamente se desconhece.
Por que isto acontece? Será que ainda muito incomoda o patriarcado, culturalmente hegemônico e socialmente dirigente, a ponto de purgar pelo apagamento na História oficial? O 28 de agosto dispõe, em potencial, de forças revolucionárias à luta, sempiterna, pela igualdade mais que de gênero: igualdade aos direitos democrático-republicanos.
A Fundação Sintaf e a Estação de Cultura Ecopedagógica Bárbara de Alencar (ECEIBA), clara e criticamente conscientes da importância desta heroína brasileira, envidaram todos os esforços possíveis para trazê-la, como exemplo e símbolo, ao palco das lutas atuais contra todas as formas de opressão.
Esta lei cearense foi resultado de um destes empenhos destas entidades referidas. Seus endereços virtuais e midiáticos contam o que fizeram e o que continuam fazendo pela memória inolvidável de quem foi grande demais para permanecer enterrada numa cova, desde 1.832, na capela do Itaguá – em Campos Sales.
O mito ressurge, das catacumbas, pelas leis e pela crítica histórica. Ganha musculatura com a parceria entre Fundação Sintaf, Eceiba, Prefeitura do Crato e Centec, na implementação do curso para guias da “Rota Turística Caminhos de Bárbara”. Dia 28 de agosto a primeira turma será diplomada, na sede da Estação, com o anúncio de uma segunda turma, agora por onde Bárbara decantou seus últimos ais para a imortalidade histórica.
Luiz Carlos Diógenes é Diretor de Cidadania, Inclusão Social e Cultura da Fundação Sintaf.
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